terça-feira, 24 de julho de 2012

Viagem


Para onde olho não tem nada,
Tudo que vejo é nada,
Para trás nada,
Para frente,
Somente o desejo,
A esperança.
Aportar meu barco.
Que não tenha só areia,
Para que a coisa não fique feia,
Para que possa amarrar com firmeza.
Que meu barco não saia à deriva.
Para que os ventos não me carreguem sem rumo.

Meu barco estava adernado,
Querendo ir a pique,
Com o lastro descompensado,
Algo estava errado...

A noite era escura,
Via-me em apuros,
Sem lua,
Mar revolto,
Ressacado,
Quase me vira de lado,
Fiquei então calado.

Olhando o céu estrelado,
Aguardando,
Esperando,
Que os ventos mudassem,
Que o mar me desse,
O que eu merecesse.

Sem pretensão,
Peguei o timão,
Rumei meu barco,
Em uma direção.

Sem saber muito bem para onde ir,
Mas uma voz me dizia,
Você vai conseguir!

Bastou o primeiro passo,
Para eu perceber o aço,
Que é feito meu braço,
Ter consciência que posso.

Agora não mais adernado,
Sem medo de ir à pique,
Com o lastro balanceado,
Tendo o calado nivelado,
Tudo controlado.

Os ventos sopram a favor,
Meu rumo está trilhado,
É claro que ao seu lado.

Tudo tem sentido,
Não tenho mais medo,
Tudo que vivi passou.

Deixei tudo para trás,
Agora só o que quero,
É ter você,
Espero,
Meu barco aportar em seu cais!

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