terça-feira, 24 de julho de 2012

Índia


Os sons da noite me transportam a lugares distantes daqui. Estou em meu trabalho, porém minha mente não. Divago pela mata como uma índia. Com a segurança do pisar firme, sem medo. Sabendo que direção seguir. Sinto meus pés descalços na terra, o barulho das folhas secas. Nessas viagens sinto como que se a mata fosse meu quintal, tamanha familiaridade tenho com ela.
 Guio-me no escuro procurando não sei o que. As vezes que só passeando e curtindo a noite. Sentindo o cheiro das flores que só à noite revelam o perfume, a brisa que acaricia meu corpo nu. Não carrego nada em minha mãos e não tenho nenhum adorno em meu corpo. Sou um se livre puro.
A noite revela coisas que o dia esconde. O cantar dos grilos, o piscar dos vaga-lumes, o guinchar dos morcegos, o zoar dos pernilongos...
Me pego em uma clareira com o nariz para cima. Que céu! Talhado de estrelas, mas da para ver o azul marinho. É noite de lua nova e elas estão ainda mais brilhantes. Na terra a única claridade que vejo é luminescência dos vaga-lumes.
Passeio por horas dando voltas em meu quintal. Estou insone e é isso que faço quando estou assim. Só tenho tempo de adentrar a mata à noite.
Durante o dia tenho meus afazeres. Ralar mandioca, cuidar das crianças. Tanta coisa para fazer que não dou conta do dia acabando. Conheço a mata somente a noite, creio que se penetrasse durante o dia não a reconheceria.
Meus dias passam lentamente simploriamente e assim levo a vida, sem ambições.
Simplesmente vivo...

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